Aos olhos leigos parece quase impossível pensar em um médico, em plena pandemia, que possa estar se sentindo parado, inerte, sem motivos para se excitar com o caos apocalíptico que nos cerca.
Mas a real situação da maioria dos médicos não é essa.
Ainda que a falta de médicos pareça assolar o país, e que uma fábrica de médicos pareça a solução para a tragédia iminente (como assim pensaram os que criaram o "Mais Médicos" há poucos anos atrás), lamento informar que a situação passa longe disso.
A maioria de nós atualmente se encontra confinada em casa, sem pacientes a atender, grande parte autônomos e, obviamente, sem renda.
Não bastasse as muitas baixas de remuneração médica sofridas nos últimos 20-30 anos a verdade é que o desemprego dos médicos está batendo à porta. Nunca foi tão fácil passar um plantão, e nunca tão difícil assumir um.
Parece irreal pensar como um país que está à beira do colapso da saúde pode estar com médicos que estão lutando para continuar trabalhando.
Deixe-me explicar um pouco mais a fundo.
Ao contrário do que muitos pensam, a grande parte dos médicos não vive à sombra de cargos públicos, e se criou uma dependência quase que patológica da saúde privada aos famosos exames de check-up, procedimentos estéticos e afins não-emergenciais.
E digo isso em nome das muitas especialidades que neste setor rodeiam, como ginecologistas, radiologistas, clínicos gerais, dermatologistas, e muitas outras especialidades clínico-cirúrgicas.
Que dirá então dos que se iludiram com a belíssima e almejada medicina estética, atualmente saturada de profissionais que sequer fizeram residência médica e se tornaram escravos de empresas que exploram o setor.
Soma-se à conta catastrófica o aumento inescrupuloso de escolas médicas que despejam aos milhares jovens médicos com formação incompleta e/ou inadequada.
Toda essa bomba está agora a explodir. Médicos e mais médicos (isso pra não citar outras áreas da saúde), agora se encontram presos aos planos de saúde, laboratórios e empresas da área que são verdadeiras máquinas de fazer dinheiro.
Muitos inclusive trabalhando por menos que dignos cortes de cabelos em periferias das grandes metrópoles.
E muitos de nós não esperavam que a conta fosse cair aos nossos pés. Pelo menos não tão cedo.
Na atual epidemia de coronavírus, vê-se uma grande guinada do setor de saúde em direção oposta à medicina "check-up", estética e preventiva.
O importante agora, afinal, é "salvar vidas", que é de fato de onde o dinheiro vai minar nos vindouros meses de 2020.
Se a coisa já não estava sendo fácil agora então azedou.
Conheço médicos que estão há semanas sem trabalho, com filhos fora da escola em "home-schooling", com contas e mais contas a pagar. Ociosos só que não (#SQN). Atarefados até o pescoço com afazeres domésticos.
Como esta conta irá fechar nos bolsos dos médicos nestes próximos 12 meses ainda é difícil saber. No melhor resumo: quem não trabalha, não ganha.
Estamos com a inteligência artificial batendo a nossa porta, com excesso de profissionais desqualificados (ou qualificados demais?), escravos de empresas farmacêuticas, sem vínculos efetivamente trabalhistas com hospitais privados, reféns de laboratórios de renome, e ainda sem planos de carreira consolidados.
Será o fim da medicina como a conhecemos hoje?
E outra pergunta ainda fica sem resposta. Ao menos por enquanto. Afinal, o que esperar da saúde no período pós-pandemia?
Mas a real situação da maioria dos médicos não é essa.
Ainda que a falta de médicos pareça assolar o país, e que uma fábrica de médicos pareça a solução para a tragédia iminente (como assim pensaram os que criaram o "Mais Médicos" há poucos anos atrás), lamento informar que a situação passa longe disso.
A maioria de nós atualmente se encontra confinada em casa, sem pacientes a atender, grande parte autônomos e, obviamente, sem renda.
Não bastasse as muitas baixas de remuneração médica sofridas nos últimos 20-30 anos a verdade é que o desemprego dos médicos está batendo à porta. Nunca foi tão fácil passar um plantão, e nunca tão difícil assumir um.
Parece irreal pensar como um país que está à beira do colapso da saúde pode estar com médicos que estão lutando para continuar trabalhando.
Deixe-me explicar um pouco mais a fundo.
Ao contrário do que muitos pensam, a grande parte dos médicos não vive à sombra de cargos públicos, e se criou uma dependência quase que patológica da saúde privada aos famosos exames de check-up, procedimentos estéticos e afins não-emergenciais.
E digo isso em nome das muitas especialidades que neste setor rodeiam, como ginecologistas, radiologistas, clínicos gerais, dermatologistas, e muitas outras especialidades clínico-cirúrgicas.
Que dirá então dos que se iludiram com a belíssima e almejada medicina estética, atualmente saturada de profissionais que sequer fizeram residência médica e se tornaram escravos de empresas que exploram o setor.
Soma-se à conta catastrófica o aumento inescrupuloso de escolas médicas que despejam aos milhares jovens médicos com formação incompleta e/ou inadequada.
Toda essa bomba está agora a explodir. Médicos e mais médicos (isso pra não citar outras áreas da saúde), agora se encontram presos aos planos de saúde, laboratórios e empresas da área que são verdadeiras máquinas de fazer dinheiro.
Muitos inclusive trabalhando por menos que dignos cortes de cabelos em periferias das grandes metrópoles.
E muitos de nós não esperavam que a conta fosse cair aos nossos pés. Pelo menos não tão cedo.
Na atual epidemia de coronavírus, vê-se uma grande guinada do setor de saúde em direção oposta à medicina "check-up", estética e preventiva.
O importante agora, afinal, é "salvar vidas", que é de fato de onde o dinheiro vai minar nos vindouros meses de 2020.
Se a coisa já não estava sendo fácil agora então azedou.
Conheço médicos que estão há semanas sem trabalho, com filhos fora da escola em "home-schooling", com contas e mais contas a pagar. Ociosos só que não (#SQN). Atarefados até o pescoço com afazeres domésticos.
Como esta conta irá fechar nos bolsos dos médicos nestes próximos 12 meses ainda é difícil saber. No melhor resumo: quem não trabalha, não ganha.
Estamos com a inteligência artificial batendo a nossa porta, com excesso de profissionais desqualificados (ou qualificados demais?), escravos de empresas farmacêuticas, sem vínculos efetivamente trabalhistas com hospitais privados, reféns de laboratórios de renome, e ainda sem planos de carreira consolidados.
Será o fim da medicina como a conhecemos hoje?
E outra pergunta ainda fica sem resposta. Ao menos por enquanto. Afinal, o que esperar da saúde no período pós-pandemia?
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